03/06/11

Proposta de Trabalho 4: Trabalho Final



Infografia
A palavra infografia tem origem na junção das palavras “informação” e “grafia” e pode ser definida como uma representação visual da informação sob a forma, por exemplo, de mapas ou gráficos.

Em termos históricos, o surgimento da infografia remonta-nos para a pré-história, com a criação dos primeiros mapas pintados na parede. Ao longo dos séculos esta área foi-se dilatando, mas foi com o surgimento, no final do século XIX, das técnicas de gravura em pedra e metal, que se assistiu a um maior progresso. Graças às novas invenções já era possível ver-se nos jornais desenhos e fotografias. Contudo, a mais importante criação para o desenvolvimento da infografia foi a digitalização, descoberta por volta de 1980.

O principal objectivo de uma infografia é apresentar informação da forma mais clara possível para o seu receptor, de modo a que ela se torne fonte de novos significados e de novos conhecimentos. Desta forma, numa época como aquela em que vivemos em que se pretende consumir o maior número de informação no menor tempo possível, a infografia é uma das melhores formas de dar resposta a essa vontade da sociedade, na medida em que, tal como nos é explicado no artigo “Infographics seminar handout”, esta é uma conjugação de elementos verbais e visuais, o que facilita a interpretação e a absorção da informação por parte do receptor. Contudo, convém ainda salientar que a abstracção é um conceito muitas das vezes inerente ao de infografia, pelo que a maior ou menor facilidade de interpretação da informação infográfica vai depender directamente desse mesmo grau de abstracção.

Segundo o mesmo artigo, são três os aspectos a ter em conta para se criar uma infografia eficaz. O primeiro é perceber qual o género de informação que se pretende comunicar: espacial, cronológica, quantitativa ou uma junção das três. O segundo é perceber qual a melhor forma de representar essa mesma informação: se através de um mapa, de uma diagrama ou de uma barra cronológica, por exemplo. O terceiro e último aspecto é escolher a forma de apresentação da infografia, isto é, perceber se é mais adequado usar uma infografia estática, animada ou interactiva.

No livro “Sailing to the future – Infographics in the internet era” de Alberto Cairo, a memória é um dos elementos de grande destaque. O autor explica que existem três tipos de memória: a memória de trabalho, que retém a informação apenas quando a estamos a utilizar, a memória de longo prazo, que envolve processos que retêm essencialmente recordações como episódios da nossa vida, por exemplo. Contudo, o tipo de memória que mais intervém após a visualização e absorção da informação infográfica é a memória imediata que retém a informação quando ela é recebida, fazendo com que ela se torne no centro da nossa atenção em determinado momento.

O jornalismo soube tirar grandes proveitos das potencialidades infográficas. Os jornalistas aperceberam-se da utilidade das infografias para os leitores, e utilizaram-nas para transpor os dados, mas também para filtrar e estabelecer relações entre estes.
O estudo “A infografia digital animada como recurso para transmissão da informação” do Professor Paulo Rodrigo Ranieri para a Universidade do Minho refere que com os avanços tecnológicos a ideia da infografia num jornal impresso transpôs-se para o ambiente digital onde ganhou maior autonomia, novas formas de expressão e ficou mais animada, interactiva e colorida.

O jornalismo online trouxe mais vantagens ao ramo da infografia já que apresenta menos limitações espaciais do que o jornalismo impresso e o uso dos mais modernos recursos informáticos. Desta forma, quer na área do jornalismo, quer nas mais variadas áreas, o uso de infografias facilita a interpretação e memorização da informação por parte do receptor tornando-a mais clara e perceptível.

Bibliografia

Rajamanickan, Venkatesh, “Infographics seminar handout”, 2005

Cairo, Alberto, “Sailing to the future – Infographics in the internet era”, 2005

Ranieri, Paulo Rodrigo, “A infografia digital animada como recurso para transmissão da informação em sites de notícia”, 2005




22/04/11

Proposta de Trabalho 3- A Cor: Memória descritiva

Projecto 1





Através da quantidade de cores vermelhas e castanhas, e da predominância de tons quentes, associamos imediatamente a primeira imagem a um cenário de Outono, calmo e triste. As emoções transmitidas são de melancolia e envelhecimento. O caminho, no qual se centra a composição, parece abandonado e esquecido.

Mas se alterarmos o padrão de cores da composição, isto é, alterar os tons de vermelho e castanho para tons de verde, o sentido da imagem altera-se por completo. Imediatamente, associamos o verde à Primavera, o que só por si altera as emoções que são transmitidas pela imagem.

A concepção deste projecto foi muito simples, não tendo sido necessário recorrer a ferramentas de selecção. A técnica utilizada neste exemplo passou por apenas 2 ferramentas do Photoshop.
1.        Replace Color: Seleccionando o vermelho escuro (tom mais predominante na imagem original), foi substituído por um verde escuro.
2.       Color Balance: Usada para suavizar a intensidade dos verdes, e torna-los um pouco mais próximos da realidade. Acrescentou-se um pouco de vermelho na imagem.

Projecto 2





O título desta imagem, retirada do blog pessoal do fotógrafo Mehrdad Garousi, é “Solidão”.
Embora a disposição dos elementos na imagem desempenhem um papel fulcral na passagem da mensagem desta fotografia, a ausência da variedade de cor também influencia a atribuição de significado.
Colorindo esta imagem, obtemos um cenário muito mais alegre e trivial, que retira à imagem a carga pesada que o autor lhe atribuiu. Assim, o modelo que antes olhava pela janela numa expressão solitária, triste e resignada, na segunda imagem transmite mistério e inocência, como quem espera por alguém.
Neste exemplo, recorreu-se ao "Polygonal tool" para seleccionar as diferentes partes que iriam ser pintadas. Como a selecção nunca é exacta, criaram-se "Layer Masks" para apagar os bocados que ficavam pintados acidentalmente ou que tínhamos mais dificuldade em separar da selecção. No que respeita à técnica de colorir, e para não alterar as texturas da imagem, recorreu-se sempre a quatro ferramentas: "Replace Color", "Color Balance", "Hue/Saturation" e "Channel Mixer".
A primeira alteração foi pintar a parede numa tonalidade quente, o que desde logo removia grande parte da frieza da imagem. De seguida, as roupas da modelo e o tom da sua pele. Por fim, foram pintadas as cortinas e a janela.

Projecto 3




O poster do filme “The Spirit”, realizado por Frank Miller, apresenta características distintas deste autor, como o contraste preto e branco e o vermelho a realçar o título do filme e a gravata do personagem, envolvendo toda a composição num ambiente sombrio, negro e violento. Estas características são auxiliadas pelo misticismo à volta do sujeito no poster, e pelas palavras que aparecem sobre as habitações. Toda a composição é notavelmente fria, crua e tenebrosa.
Contudo, se colorirmos a imagem, esta perde muita da sua imponência, dando-lhe um aspecto mais infantil e até folclórico. Enquanto a primeira imagem mostra bem o cenário do filme, virado para um público mais adulto, a segunda revela um panorama mais leve e não tão violento. Com a mudança da cor do título do filme para amarelo, este perde algum do seu carácter mais sanguinário, apesar de certos elementos como a escuridão e a figura da personagem central do filme, não perderem o seu sentido com a colocação de tons mais coloridos.
Neste projecto, usamos sobretudo a opção “Variations” para colorir o poster e iluminar alguns elementos. Conseguimos assim uma imagem mais viva, alegre e virada para um público mais jovem.

13/04/11

Proposta de Trabalho 2- Tipografia: Memória descritiva


Alberto Caeiro
"Tristes das almas humanas que põem tudo em ordem,
Que traçam linhas de coisa a coisa,
Que põem letreiros com nomes nas árvores absolutamente reais,
E desenham paralelos de latitude e longitude
Sobre a própria terra inocente e mais verde e florida do que uso!”



O cenário idílico de uma mesa de piquenique, coberta por uma vinha, personifica o carácter simples e bucólico do heterónimo Alberto Caeiro.
Primeiro criaram-se as linhas que dariam forma à vinha, usando a "Pencil tool". De seguida, usando a ferramenta “Attach to path”, moldou-se o texto às linhas criadas. Procedeu-se à alteração da cor, tamanho e espessura do texto para criar os diferentes formatos dos ramos. Este era o elemento principal do projecto e aquele que mais rapidamente ficou pronto. O mais difícil era decidir como desenrolar a composição a partir daí.
Acabamos por manter o documento na vertical e por enquadrar a vinha no topo da imagem, deixando um vasto espaço para o solo, que ajuda a transmitir a ideia de “terra inocente” e de um cenário campestre e primitivo. No chão, as folhas (representadas pela letra "t") amontoam-se, criando um cenário outoniço.
A mesa, composta por uma flor (com o “O” que completa os dois nomes do heterónimo: Alberto e Caeiro), é feita com dois “r’s” simétricos e um T, esticado depois de aplicar o “Split”. O nome do heterónimo foi, assim,  escrito simetricamente e aponta simbolicamente para um espaço de vida e de verde à volta da mesa onde se encontra pousada a flor. Rodeada ainda pelo castanho das folhas, como um mundo mortiço e desgastado, pelo homem que o transforma e nele procura significado para tudo.
Para além da acima descrita, a outra razão pela qual decidimos usar a cor nesta composição foi precisamente para reforçar o seu efeito. O castanho e o verde são as cores mais presentes na natureza e ajudam à compreensão imediata da imagem que, por limitações técnicas, não é tão clara e elucidativa como a princípio se pretendia.
Ainda assim, o resultado foi bastante satisfatório dado ao contexto. Uma nota para o nome do heterónimo (era requerido no enunciado que estivesse presente) que surge no extremo direito da imagem.


Ricardo Reis

Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço.”


O que se pretendia com a composição relativa ao heterónimo Ricardo Reis era ilustrar o excerto do poema, recorrendo à tipografia. Como elementos de presença obrigatória tínhamos a pagã triste, que é o tema central do poema, o rio que passa, como a vida, e o Sol que simboliza a efemeridade do dia, a imediatez do presente e que vai ao encontro da filosofia do “carpe diem” deste heterónimo.
Assim, optamos por criar uma composição mais simples e mais vaga, como a memória que o poeta evoca no poema. Como que substituindo a figura da pagã triste, as duas palavras aparecem na margem do rio. O “A” da palavra “Pagã” foi alterado para conferir a ideia de feminino, recorrendo ao “til” para simbolizar o cabelo ondulando ao vento, e preenchendo a letra com a cor preta, de modo a moldar-lhe um corpo. Na palavra triste, a lágrima que escorre da letra “i” foi desenhada para reforçar o sentido da palavra.
Para recriar o rio recorremos à mesma técnica usada para desenhar a vinha. Com a "Pencil tool" criaram-se as linhas que representavam a ondulação e o movimento da água, procedendo-se à "fusão" do texto com esses contornos.
Por fim, o sol. Primeiro desenhou-se uma circunferência e de seguida uma caixa com o texto de 24 linhas que servia de matéria-prima à composição. Usando o “Paste special”, este texto foi recortado na forma da circunferência. Por fim, o nome do heterónimo surge em destaque, pintado de preto (o resto do texto está a cinzento), por entre as frases que dão corpo ao sol.

Álvaro de Campos
“Ó rodas, Ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!”




Álvaro de Campos. O heterónimo do futuro e da revolta. O Maquinista. A palavra fúria, a chaminé, o fumo, o relógio e as rodas dentadas são talvez os símbolos que mais se relacionam com ele.
Usando o texto de 24 linhas, pretendíamos dar a ideia do fumo que sai duma chaminé. A chaminé foi desenhada com a "Line tool" e substitui a letra “i” na palavra Fúria. A letra “A” foi alterada e engrossada, de modo a reforçar visualmente o sentido da palavra. Para o fazer, recorreu-se à opção “Split”.
Nesta composição decidimos não criar nenhum cenário, nem dispor os elementos logicamente e de forma organizada. Isto para ir ao encontro da personalidade do heterónimo e do excerto que servia de ponto de partida. O passo seguinte foi desenhar a roda dentada em forma de relógio. Para isso, retirou-se uma imagem "bitmap" da Internet e recorrendo à ferramenta “Trace” esta foi convertida para formato vectorial.
De seguida, aumentamos diâmetro da circunferência branca que ocupa o centro da roda dentada, para que esta se assemelhasse mais à forma de um relógio. Posto isto, e usando a imagem de um relógio como referência, desenhou-se os traços correspondentes às 12 horas. Por fim, com a opção “Attach to path” colocamos o texto desejado nas linhas dos ponteiros do relógio. Entre este texto encontra-se o nome do heterónimo.




21/03/11

Proposta de Trabalho 1 - Memória Descritiva

A ideia de criar uma composição visual , juntando, as 7 palavras por nós propostas: perfect, hell, wings, feather, skin, eye e hurt, levou-nos a conceptualizar um projecto centrado no corpo humano, neste caso o feminino, que remete para a palavra perfeição.

Após uma pesquisa, a imagem-modelo escolhida para constituir a base da composição foi esta:




Começou-se, então, por fazer um crop à imagem original, para trabalhar com medidas aproximadas às da imagem final. Um dos erros cometidos noutras tentativas, foi o de trabalhar uma imagem rectangular como se fosse aquele o formato final, e depois ter de efectuar um crop, transformando num quadrado uma imagem que não estava pensada e que nem funcionava como tal.

Após o crop, o primeiro passo foi trabalhar o fundo. A ideia era unir Hell). Para que isto fosse possível, era necessário remover a modelo daquela layer, para que a modelo ficasse "por cima", ou melhor, à frente, do fundo.


Recorrendo a ferramentas de selecção realizou-se essa tarefa. Uma vez removida a modelo foi possível fundir a imagem original com a imagem do corredor, sobrepondo as duas e utilizando o "blend mode" disponível nas "blending options" do Photoshop. O resultado foi este:



O próximo passo foi acrescentar os dois elementos seguintes: as asas e a tatuagem do olho.


As asas:
Começou-se por "recortá-las" do fundo branco que as rodeava e de seguida foram incluídas no projecto, numa nova layer. Criou-se uma nova instância desta layer para que se pudesse aplicar um filtro, neste caso o "blur" para que as asas se misturassem, isto é, se integrassem de forma suave com corpo da modelo evitando diferenças bruscas de nitidez. Por fim, foram colocadas no local desejado (com o move tool).
Com este passo pretendeu-se dar voz a duas das palavras: "feather" e "wings".


A tatuagem do olho:
Uma vez recortado do fundo branco da imagem original, foi transportado para o projecto, para uma nova layer. Recorrendo a ferramentas como o blend mode, o blur, entre outras, moldou-se o olho ao corpo da mulher, mais concretamente às costas, para que parecesse uma tatuagem. Com este passo pretendeu-se dar voz a duas das palavras: "eye" e "skin". É de sublinhar, no entanto, que o objectivo do trabalho foi criar um cenário à volta das 7 palavras e não uma imagem desconexa, com 7 elementos diferentes e desintegrados. Após este passo a imagem estava assim:





Por fim, recorreu-se às manchas de sangue para sugerir a "hurt" na imagem. A interpretação é individual, mas é latente a simbologia à dor física e psicológica de quem "está às portas do inferno". Assim como o desespero sentido pelo corpo "angelical", retirado do seu "habitat natural".

Convém que tenhamos sempre presente que o limite não está no céu mas sim nas competências técnicas de que dispomos e por isso nem sempre é possível criar o efeito desejado.

Foi o caso das gotas de sangue, que embora reservem alguma semelhança com o seu referente, não são uma aproximação tão fiel do real, quanto gostaríamos. Ainda assim, fez-se várias tentativas e esta acabou por ser a melhor.



A técnica empregue foi simples, recortar as manchas de sangue desta imagem e fundi-las com o nosso projecto. Mais uma vez, recorrendo ao "blend mode" e a pequenos ajustes de imagem. Na imagem vemos duas possíveis alternativas para esta fase final do trabalho.´





A escolhida acabou por ser a do lado esquerdo, e a imagem final é esta:





E aqui em forma circular: